Eu não acredito em astrologia
Eu não acredito em fantasmas
Eu não acredito em vidas passadas
Eu não acredito em previsão do futuro que ainda não existe
Eu não acredito em políticos
Eu não acredito em nacionalistas
Eu não acredito em socialistas
Eu não acredito em países, estes locais com demarcações imaginárias que nada valem
Eu não acredito no Brasil
Eu não acredito em brasileiros, este povo inventado neste século
Eu não acredito em americanos, nem em latino americanos
Eu não acredito em teorias conspiratórias
Eu não acredito em soluções mágicas e simples para problemas complexos
Eu não acredito que todos somos iguais
Eu não acredito que todos somos diferentes
Eu não acredito que os animais sejam inferiores
Eu não acredito que em uma vida de significado é impossível ser feliz
Eu não acredito que seja possível escolher todos os caminhos
Eu não acredito que seja possível escolher ter uma vida de significado
Eu não acredito que seja possível escolher a pessoa pela qual você se apaixona
Eu não acredito que exista razão no amor
Eu não acredito que alguém consiga separar a razão do amor
Eu não acredito em milagres, este substituto do trabalho e da sorte
Eu acredito em mim e eu acredito em estatísticas; e elas me dizem, com uma margem de erro de 5%, que é por isso que eu sou feliz.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
terça-feira, 12 de junho de 2007
Consulta Médica à Beira da Piscina em Jurupema
(Colaboraram Cláudia e Ruds)
- Sinto muito, mas não havia outra forma de te contar.
- Tudo bem dr. Eu realmente já esperava por tudo isso...
- Já?
- Sim, depois da infância que eu tive... Você deve saber, os anos 80 eram uma loucura.
- Eu não sei não, a minha foi no interior nos anos 60. Mas você previa ter tantas doenças?
- Era esperado, foi uma década com Duran Duran e A-Ha. Isso no cenário internacional, aqui tinha Ritchie e Roupa Nova...
- Você esperava até pela Gonorréia?
- Xuxa!!! Eu não tive educação sexual, eu assistia à Xuxa.
- Calvice?
- Hum, Neutrox... até hoje essa merda ainda existe.
- Epilepsia?
- Changeman e Jaspion
- Rinite alérgica Crônica?
- Aquela caneta colorida de dez cores que minha mãe comprava da sacoleira lá do bairro. Cada cor tinha um cheiro diferente.
- Sifose?
- Ha, isto foi composição do Bamba com o Kichute!!!
- Puxa nunca deixei meus filhos usarem estes... Gengivite?
- Gelinho. Eu e meu primos fazíamos para vender, mas a gente acabava tomando metade da produção, era química pura.
- Ok, e seu cancer de pulmão?
- Esse foi o Dip Lik. O senhor conheceu?
- Não...
- Aquilo era uma vergonha. Uma irresponsabilidade da minha mãe me dar aquele treco. Pode ver que nem existe site ou empresa que faça referência a ele. Tem gente que acha que vinha do inferno junto com os bonecos do Fofão.
- Fofão?... Bom, De qualquer forma eu sinto muito pelo seu estado. Uma pena a década da sua infância ter sido tão trágica.
- Não foi tão trágica, foi mais cômica. E eu ainda tenho uma enorme coleção de pirocopteros, qualquer dia te mostro. E o senhor Dr, tem alguma coleção da sua infância?
- Claro!!! Uma seleção de vinis dos Beattles, me disseram que vale uma nota...
- Sinto muito, mas não havia outra forma de te contar.
- Tudo bem dr. Eu realmente já esperava por tudo isso...
- Já?
- Sim, depois da infância que eu tive... Você deve saber, os anos 80 eram uma loucura.
- Eu não sei não, a minha foi no interior nos anos 60. Mas você previa ter tantas doenças?
- Era esperado, foi uma década com Duran Duran e A-Ha. Isso no cenário internacional, aqui tinha Ritchie e Roupa Nova...
- Você esperava até pela Gonorréia?
- Xuxa!!! Eu não tive educação sexual, eu assistia à Xuxa.
- Calvice?
- Hum, Neutrox... até hoje essa merda ainda existe.
- Epilepsia?
- Changeman e Jaspion
- Rinite alérgica Crônica?
- Aquela caneta colorida de dez cores que minha mãe comprava da sacoleira lá do bairro. Cada cor tinha um cheiro diferente.
- Sifose?
- Ha, isto foi composição do Bamba com o Kichute!!!
- Puxa nunca deixei meus filhos usarem estes... Gengivite?
- Gelinho. Eu e meu primos fazíamos para vender, mas a gente acabava tomando metade da produção, era química pura.
- Ok, e seu cancer de pulmão?
- Esse foi o Dip Lik. O senhor conheceu?
- Não...
- Aquilo era uma vergonha. Uma irresponsabilidade da minha mãe me dar aquele treco. Pode ver que nem existe site ou empresa que faça referência a ele. Tem gente que acha que vinha do inferno junto com os bonecos do Fofão.
- Fofão?... Bom, De qualquer forma eu sinto muito pelo seu estado. Uma pena a década da sua infância ter sido tão trágica.
- Não foi tão trágica, foi mais cômica. E eu ainda tenho uma enorme coleção de pirocopteros, qualquer dia te mostro. E o senhor Dr, tem alguma coleção da sua infância?
- Claro!!! Uma seleção de vinis dos Beattles, me disseram que vale uma nota...
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Cada Lapso Antecede Um Desejo Insanamente Aleatório
1 - Não foi nada não foi nada mas foi alguma coisa Perdi um punhado de reais por cada palavra trocada e mal compreendida Perdi o tempo e o momento E cada olhar seu eu esquecia da mesa do domingo do cachorro da comida Como em poucas vezes nesta estrada perdida fui um amador (em todos os sentidos republicanos ou não implicados nesta palavra) Enquanto a madrugada esfriava e você chegava em sua casa eu ainda consegui tempo para consertar meus erros.
2 - Dizem que quando 1 não quer 2 não brigam mas o contrário não é válido Entre fazer o relevante ou o irrelevante escolhe-se sempre o que te oferecer mais dinheiro e nem mesmo 7 horas de voo mudam minha opinião sobre isso A tecnologia me salvou mais uma vez porque escrevendo eu sou muito melhor do que falando e em poucas palavras eu digo mais do que muitos dizem em muitas
3 - Um amador inseguro e nervoso foi incapaz de assumir minha posição na primeira vez que te liguei Mas na segunda vez eu mesmo falei planejei e executei Te Convidei para uma dança irrecusável sob o céu de São Paulo acompanhada de caipirinhas e um vento frio e seco As vezes se faz errado mas tudo corre certo
4 - O Ibirapuera é negro a noite e você suporta bem mais spirits do que eu Não me lembrava o quão bom era ser surpreendido pela beleza ou pela graça E ao longo da noite eu percebi que ficaria velho muito rápido ao seu lado o tempo ali passa rápido Mas como um amigo meu me explicou isto é apenas uma questão de densidade e de velocidade.
2 - Dizem que quando 1 não quer 2 não brigam mas o contrário não é válido Entre fazer o relevante ou o irrelevante escolhe-se sempre o que te oferecer mais dinheiro e nem mesmo 7 horas de voo mudam minha opinião sobre isso A tecnologia me salvou mais uma vez porque escrevendo eu sou muito melhor do que falando e em poucas palavras eu digo mais do que muitos dizem em muitas
3 - Um amador inseguro e nervoso foi incapaz de assumir minha posição na primeira vez que te liguei Mas na segunda vez eu mesmo falei planejei e executei Te Convidei para uma dança irrecusável sob o céu de São Paulo acompanhada de caipirinhas e um vento frio e seco As vezes se faz errado mas tudo corre certo
4 - O Ibirapuera é negro a noite e você suporta bem mais spirits do que eu Não me lembrava o quão bom era ser surpreendido pela beleza ou pela graça E ao longo da noite eu percebi que ficaria velho muito rápido ao seu lado o tempo ali passa rápido Mas como um amigo meu me explicou isto é apenas uma questão de densidade e de velocidade.
terça-feira, 22 de maio de 2007
Contra todas as regras
De novo o muro. De novo meus punhos sangrando. De novo o mesmo velho me ajudando.
Porém desta vez eu estou diferente. Não há tijolo, argamassa ou concreto que não se tornam pó e retornam ao lugar do qual jamais deveriam ter saído.
Desta vez eu tenho uma missão e não vou parar. O chão treme e o velho se assusta e pede para que eu relaxe um pouco. Minhas mãos tremem também.
Uma chuva fina, constante e fria cai pesadamente e todos os outros que estavam invisíveis dizem que devo ter mais calma.
Sei que já venci, mas aí eu me lembro do final de um velho filme com o Kurt Russel; e ele dizia: "Bring it on".
Porém desta vez eu estou diferente. Não há tijolo, argamassa ou concreto que não se tornam pó e retornam ao lugar do qual jamais deveriam ter saído.
Desta vez eu tenho uma missão e não vou parar. O chão treme e o velho se assusta e pede para que eu relaxe um pouco. Minhas mãos tremem também.
Uma chuva fina, constante e fria cai pesadamente e todos os outros que estavam invisíveis dizem que devo ter mais calma.
Sei que já venci, mas aí eu me lembro do final de um velho filme com o Kurt Russel; e ele dizia: "Bring it on".
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Catch 22
- Vocês ouviram as ordens. Todos para a pista!
- Senhor. Nós não ouvimos ordem alguma, Senhor.
- Está me dizendo que vocês estão surdos?
- Não Senhor, estou dizendo que nada foi dito, Senhor.
- Quando Cabo?
- Quando, Senhor?
- Quando eu não disse nada?
- Hoje, Senhor. Hoje o Senhor não disse nada.
- Então faremos exatamente como eu não disse. Todos para a pista.
(O telefone toca. O Coronel atende. Seguem-se silêncios e hums-hums.)
- Cabo, cancele a ordem que eu acabei de não dar.
- Sim, Senhor.
- Estas mulheres...
- Mulheres senhor?
- Sim, elas cancelaram a operação.
- Bom, Senhor, depois que elas ficaram independentes e auto-suficientes eu não as entendo mais Senhor.
- Cabo, você está me dizendo que não leu o manual?
- Havia uma manual, Senhor?
- Cabo, se você tivesse lido o manual você saberia. There's a catch.
- What catch, Sir?
- The catch 22.
- Catch 22?
- Sim. Ele diz que toda mulher é independente e auto-suficiente e por isso mesmo elas devem dividir as contas com os homens.
- Me parece correto, Senhor.
- Mas ele diz também que toda mulher independente e auto-suficiente deve ser segura de si o suficiente para permitir que o homem pague a conta.
- Mas Senhor, se ela permitir ao homem pagar a conta ela não é independente nem auto-suficiente...
- That's the catch.
- Senhor, acho que o Dr. Emmett Brown estava certo, senhor.
- Ele estava Cabo, ele estava...
- Senhor. Nós não ouvimos ordem alguma, Senhor.
- Está me dizendo que vocês estão surdos?
- Não Senhor, estou dizendo que nada foi dito, Senhor.
- Quando Cabo?
- Quando, Senhor?
- Quando eu não disse nada?
- Hoje, Senhor. Hoje o Senhor não disse nada.
- Então faremos exatamente como eu não disse. Todos para a pista.
(O telefone toca. O Coronel atende. Seguem-se silêncios e hums-hums.)
- Cabo, cancele a ordem que eu acabei de não dar.
- Sim, Senhor.
- Estas mulheres...
- Mulheres senhor?
- Sim, elas cancelaram a operação.
- Bom, Senhor, depois que elas ficaram independentes e auto-suficientes eu não as entendo mais Senhor.
- Cabo, você está me dizendo que não leu o manual?
- Havia uma manual, Senhor?
- Cabo, se você tivesse lido o manual você saberia. There's a catch.
- What catch, Sir?
- The catch 22.
- Catch 22?
- Sim. Ele diz que toda mulher é independente e auto-suficiente e por isso mesmo elas devem dividir as contas com os homens.
- Me parece correto, Senhor.
- Mas ele diz também que toda mulher independente e auto-suficiente deve ser segura de si o suficiente para permitir que o homem pague a conta.
- Mas Senhor, se ela permitir ao homem pagar a conta ela não é independente nem auto-suficiente...
- That's the catch.
- Senhor, acho que o Dr. Emmett Brown estava certo, senhor.
- Ele estava Cabo, ele estava...
sábado, 5 de maio de 2007
No centro do Estado
Uma noite vale a pena?
Vale o esforço do sorriso? Vale o embaraço da vergonha? Vale o vazio do depois?
E uma hora vale a pena?
Vale a angustia do silêncio? Vale as doloridas memórias revividas? Vale a saudade que causa?
E um segundo vale a pena?
Vale o frio que se passa? Vale a tristeza da derrota? Vale a perda da razão?
É claro que vale!!! Basta passar além da dor.
Tudo vale, mesmo que seja apenas por um beijo, mesmo que seja apenas por um abraço, mesmo que seja por um toque no braço, ou uma troca de olhares. Ah, vale mesmo que seja apenas os olhares e o sorriso.
(E só agora percebo que não é Pessoa quem é ridículo. Ridículo sou eu que quero voltar a ser aquele garoto no centro do meu estado. Eu que quero ir além do Bojador).
Vale o esforço do sorriso? Vale o embaraço da vergonha? Vale o vazio do depois?
E uma hora vale a pena?
Vale a angustia do silêncio? Vale as doloridas memórias revividas? Vale a saudade que causa?
E um segundo vale a pena?
Vale o frio que se passa? Vale a tristeza da derrota? Vale a perda da razão?
É claro que vale!!! Basta passar além da dor.
Tudo vale, mesmo que seja apenas por um beijo, mesmo que seja apenas por um abraço, mesmo que seja por um toque no braço, ou uma troca de olhares. Ah, vale mesmo que seja apenas os olhares e o sorriso.
(E só agora percebo que não é Pessoa quem é ridículo. Ridículo sou eu que quero voltar a ser aquele garoto no centro do meu estado. Eu que quero ir além do Bojador).
A Queda
Você não sabe como começa. Ninguém sabe.
Mas um dia está lá você contra o muro.
Você sabe que tem que derrubá-lo. Usa insessantemente os pés e punhos; metodicamente derrubando cada tijolo, cada camada de tinta, cada grão de areia.
O muro não cai; e não vai cair porque ele simplesmente é muito maior que você. Muito maior que sua imaginação. Muito maior que sua força de vontade.
As pessoas que passam por você não entendem e não enxergam, pois o muro não existe.
E o tempo passa, a pele massa, a carne passa, os nervos passam. Tudo o que sobra são os ossos, o sangue e o muro.
Só então alguém percebe:
- Ei rapaz, você não é .....
- Sou eu mesmo.
- Você está sangrando.
- Eu sei. Eu sei....zzz... por favor faça parar.
E então quem cai sou eu.
Mas um dia está lá você contra o muro.
Você sabe que tem que derrubá-lo. Usa insessantemente os pés e punhos; metodicamente derrubando cada tijolo, cada camada de tinta, cada grão de areia.
O muro não cai; e não vai cair porque ele simplesmente é muito maior que você. Muito maior que sua imaginação. Muito maior que sua força de vontade.
As pessoas que passam por você não entendem e não enxergam, pois o muro não existe.
E o tempo passa, a pele massa, a carne passa, os nervos passam. Tudo o que sobra são os ossos, o sangue e o muro.
Só então alguém percebe:
- Ei rapaz, você não é .....
- Sou eu mesmo.
- Você está sangrando.
- Eu sei. Eu sei....zzz... por favor faça parar.
E então quem cai sou eu.
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